Falta mão de obra em mercado em expansão – Marcos Túlio de Melo

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O descompasso atual entre oferta de postos de trabalho e falta de mão de obra é uma ameaça real ao crescimento brasileiro. Um problema que tem sua origem nas mais de duas décadas de falta de investimento público em infraestrutura, resultando no desmonte das estruturas técnicas de empresas públicas e privadas. Uma saída precisa ser buscada conjuntamente, com a realização de um trabalho entre o governo, os setores produtivo e educacional e as entidades profissionais. Uma pergunta é necessária e oportuna. A importação de profissionais é a saída? Ainda não temos dados que nos permitam uma resposta segura. Trazer mão de obra operacional não resolve. Precisamos incentivar os jovens para a escolha das carreiras tecnológicas e, quando necessário, importar cérebros, tecnologias de ponta e expertise.

O mercado brasileiro está em franca expansão em função dos recursos destinados pelo governo federal às obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC); do "Minha Casa, Minha Vida"; da Copa de 2014; dos Jogos Olímpicos de 2016 etc. Essas demandas e a falta de mão de obra geraram fila de espera para a entrada de profissionais no Brasil. Das muitas organizações que nos procuram, destacamos americanos, espanhóis, italianos, portugueses, ingleses, chilenos e argentinos. No Sistema Confea/Crea o número de pedidos de registro de profissionais diplomados no exterior triplicou em 2010.

A nossa posição não é contrária ao trânsito profissional, mas é preciso estabelecer critérios de paridade, com a celebração de acordos bilaterais em que brasileiros sejam submetidos às mesmas regras que venhamos a oferecer aos estrangeiros. Defendemos a reciprocidade e, para isso, estamos nos reunindo formalmente com muitos países. Em recente encontro com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), o Confea deixou clara sua posição de defender os acordos bilaterais, que é a mesma visão do MDIC.



Marcos Túlio de Melo
Presidente do Confea

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