Sustentabilidade no pólo têxtil
Por Cecíliano Ramos
Após o registro de perdas econômicas no ano passado, o setor têxtil está otimista para o próximo semestre. A Associação Brasileira da Indústria Têxtil (ABIT) estima crescimento de 4% no setor têxtil e criação de mais de 40 mil postos de trabalho. O faturamento anual do setor superou a marca de US$ 47 bilhões em 2009, com cerca de 1,7 milhão de trabalhadores empregados nas mais de 30 mil empresas do País.
No ranking mundial, o Brasil é o sexto maior produtor da indústria têxtil e de confecção. Segundo a ABIT, um dos principais diferenciais brasileiros em relação aos outros países está na sustentabilidade do setor. Em Santa Catarina, segundo estado do ranking nacional de exportadores do setor, a produção do segmento representa mais de 15% do PIB têxtil brasileiro.
Em Brusque, principal pólo catarinense, com 290 fábricas, esses dados se refletem não só na economia, mas também na crescente preocupação ambiental. Mais de 30 empresas da região encontraram na terceirização do serviço de tratamento de efluentes líquidos industriais uma alternativa para a adequação à legislação ambiental, sem deixar de lado a economia de custos.
Optar pela terceirização significa associar sustentabilidade com a queda da informalidade. O tratamento de efluentes é essencial para a preservação do meio ambiente e a sua terceirização possibilita que pequenas empresas estejam de acordo com as leis ambientais, reduzindo a informalidade no setor.
A grande vantagem está no fato de o cliente cuidar apenas de seu negócio principal, deixando para a prestadora de serviços os investimentos na estação de tratamento. O principal benefício é o ambiental, já que um dos resultados é a queda da poluição do solo e do rio Itajaí-Mirim, que banha a região do polo têxtil catarinense.
Para as empresas que contratam o serviço, os benefícios vêm com redução de custos e de pessoal, além de dispensar o aumento de espaço físico necessário para a construção da estação. A terceirização do tratamento de efluentes também é vantajosa para o órgão ambiental responsável pela fiscalização. Com o serviço fica mais fácil acompanhar as empresas, já que ficam concentradas em uma única estação de tratamento.
A ETE de Brusque é a única no País que utiliza a tecnologia de poço profundo – deep shaft. Esses resíduos chegam à estação, onde são tratados com um reator anaeróbico de 4 metros de diâmetro por 60 metros de profundidade, alimentado por ar comprimido garantindo a eficiência no tratamento biológico. Esta tecnologia é muito empregada no Japão e em países onde há necessidade de reutilização de água e também onde a realização do tratamento é feita perto de centros urbanos.
Cecíliano Ramos
Engenheiro Civil Ceciliano José Ennes Neto
CREA-SC: 075785-0
ceciliano@riovivo.com.br




Deixe uma resposta
Quer entrar na discussão?Sinta-se livre para contribuir!