Que tipo de sócio você precisa? – Eng. Eletricista Ênio Padilha
Por incrível que possa parecer, ganhar mais dinheiro quase nunca é o principal objetivo de um engenheiro ou arquiteto que abre o seu próprio escritório. A decisão de virar empresário da Engenharia ou Arquitetura (abrir um escritório ou constituir uma empresa) geralmente está ligada ao desejo ou necessidade de ter mais tempo para si mesmo, escolher suas atividades/clientes, determinar seus horários, enfim, ser dono do seu próprio nariz.
Mas esta empreitada geralmente é precedida de muito sonho e pouca luz. E, por conta disso, a maioria dos escritórios passa por momentos muito duros nos primeiros anos de vida. Muitos desses momentos difíceis podem ser evitados com algum conhecimento técnico e planejamento racional.
A primeira coisa a fazer quando se pensa em abrir um escritório é decidir qual é a forma legal da constituição da empresa. Um profissional de Engenharia ou Arquitetura pode se estabelecer no mercado com um escritório sob a forma de profissional liberal autônomo ou firma individual. Outra opção é a empresa, em sociedade com outras pessoas.
É nesse caso (o de constituir uma sociedade) que muitas perguntas martelam a cabeça do profissional: como se faz uma sociedade? Vale a pena? Que tipo de problema pode surgir? Por que fazer uma sociedade? O que se deve esperar de um sócio? Sociedades podem dar certo?
Antes de fazer uma sociedade somos inundados por uma tempestade de perguntas, dúvidas e angústias. Nem sempre respondemos todas as perguntas ou eliminamos as dúvidas e angústias antes de iniciarmos a jornada. E, mais importante: nem sempre fazemos as perguntas certas ou esclarecemos as questões relevantes.
O resultado é que muitas sociedades dão errado. E muita gente acaba com essa sensação de que toda sociedade está fadada ao fracasso. Não é verdade. E isto responde a uma das nossas perguntas acima: sim, sociedades podem dar certo? Basta fazer a coisa bem feita.
A regra número um parece ser "conheça muito bem o futuro sócio". Usa-se, inclusive, a metáfora do namoro e do casamento para ilustrar a situação. O problema é que essa não é uma tarefa fácil. O mais comum é o profissional ser surpreendido com alguma coisa muito inesperada no seu sócio, quando já é "tarde demais".
E não adianta ter um contrato minucioso das tarefas, obrigações, atividades, direitos e benefícios dos sócios se essas questões não passaram por uma discussão sincera e franca entre as partes. É bom lembrar a metáfora do casamento: por mais que as obrigações e direitos das partes estejam estabelecidos pelas regras tácitas do casamento… a gente sabe que, infelizmente, muitos não dão certo. Alguns até precedidos por muitos e muitos anos de namoro.
Um dos muitos pecados cometidos por profissionais no processo de escolha de sócios é fazê-lo por amizade. É muito comum ver sociedades de iguais (ou semelhantes). Três engenheiros, colegas de faculdade, excelentes projetistas de estruturas (os melhores da turma) se reúnem numa sociedade… que vai fazer água em menos de dois anos!
Duas arquitetas, amicíssimas, criativas, competentes, que vão juntas às festas e viagens, se unem numa sociedade… que tem tudo para dar errado!
Amigos antigos ou parentes bacanas não são necessariamente bons sócios. Compartilhar festas e viagens não é a mesma coisa que dividir trabalho. Sociedade não se faz por amizade ou simpatia. Se faz por conveniência operacional. E o conveniente nem sempre é evidente.
Se, por exemplo, você é um excelente projetista e pretende abrir um escritório de projetos, a última coisa de que você precisa é de outro profissional bom em fazer projetos. O que você deve buscar como sócio é alguém que seja bom em negociação com clientes ou em questões administrativas ou em comando de equipe… Outro projetista irá agregar muito pouco ao negócio e será, fatalmente, fonte de discussões e desentendimentos, o que nos leva a um dos demônios das sociedades entre profissionais: a vaidade intelectual, que leva cada um dos sócios a achar que o outro está recebendo o crédito indevido pelos eventuais sucessos da empresa.
Outro demônio feroz que se opõe ao sucesso de qualquer sociedade é a questão do dinheiro: há uma tendência natural nas pessoas (numa sociedade) em julgar que o outro sócio está ficando com uma fatia do dinheiro maior do que a merecida. Essa avaliação, quase sempre, é exagerada (quando não injusta).
Essas questões devem ser discutidas abertamente antes de a sociedade ser estabelecida, para evitar que esses demônios se criem. Antes de dar início a uma sociedade é preciso fazer exercícios mentais (conjuntos) com o desenho desses cenários, para identificar a reação natural de cada uma das partes.
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Eng. Eletricista Ênio Padilha | CREA-SC 21964-8 |




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