Porto de Navegantes: um belo exemplo de sustentabilidade
No Brasil, o mercado sustentável começou a se mostrar atento a partir do ano de 1999, onde surgiram os primeiros projetos conduzindo a sustentabilidade, tendo como base alguns aspectos que devem coexistir em equilíbrio: ambiental, econômico, social e tecnológico. No complexo do Porto de Navegantes a sustentabilidade se fez presente no gerenciamento de muitas das instalações, destacando-se os projetos de ar condicionado, refrigeração e tratamento de ar e água.
As instalações estão operando na Iceport/Portonave em Navegantes, tendo como meta o clima e o frio, o ser humano e a arquitetura, onde os trabalhos adotam critérios e tecnologias priorizando a eficiência energética, o uso racional de água e de recursos renováveis, bem como o gerenciamento de resíduos da construção, empregando materiais inteligentes e recicláveis.
Central de Frio Iceport
Com um acúmulo 110 m3, a água da chuva é filtrada e tratada, empregada em diversas utilidades, como o condensador evaporativo para sistema de frio – 38 a 96 m3/dia (média 68 m3/dia), a lavagem de pallets e caminhões – 6 a 12m3/dia e necessidades de múltiplo uso, como jardim, pisos, containers, manutenção, vasos sanitários, lavagem externas do complexo de câmaras e outras, somando 13 m3/dia.
Já a água de degelo – num acúmulo de 62 m3, contribui com 42 e 20m3/dia de água recirculada da chuva e degelo, obtendo-se 62 m3/dia de água armazenada na temperatura de 3ºC a 4 ºC, sob forma de termo-acumulação. O total é de 289,3 TR para um consumo médio de 25,4TR de ar condicionado, em 11,4 horas de operação.
Para atender ao prédio administrativo e operacional as necessidades máximas de frio no verão são de 70 TR às 14 horas – fator de uso 85%. Assim o sistema de ar condicionado “água gelada” dispensa o chiller de 80 TR. A água proveniente do sistema de degelo, economiza também as instalações elétricas e hidráulicas complementares, havendo redução de carga nos trafos, diminuição da potência dos grupos geradores e dos custos de manutenção.
Quando a água de degelo retorna do ar condicionado a 18ºC, é desviada para o condensador evaporativo, obtendo-se um aumento de rendimento dos compressores, com 20% de redução na energia elétrica.
Prevendo-se uma possível redução na água de degelo em função de menor atividade nas câmaras e segurança operacional, foi instalado um trocador “amônia /água” com capacidade de 70TR, aproveitando o frio residual da amônia que retorna dos evaporadores das câmaras frias.
A necessidade máxima de água para o condensador evaporativo é de 93 m3/dia (1500 HP de refrigeração), que em função da baixa temperatura da água enviada para o condensador diminui o consumo de água para uma média de 68m3/dia. O atual nível de coleta – 1700m2 de telhado e 110 m3 de tanques, disponibiliza água da chuva e de degelo num nível de 48m3/dia, proporcionando a economia de água Casan em 45m3/dia, permitindo fornecer água a 450 pessoas/dia ou 112 casas.
O consumo de energia elétrica, em função da racionalização e das tecnologias utilizadas, é a base mais econômica do projeto de sustentabilidade, registrando ao ano a economia de 58.800 KW em função dos projetos adotados para a climatização ou 106.668KW considerando o ar condicionado e a central de frio. A qualidade do ar obtida e a racionalização do projeto devem-se ao ar externo filtrado, a posição solar dos prédios, sombras, correntes de ar favoráveis, bom isolamento térmico, fator de uso adequado e utilização de unidades cassetes que garantem um micro clima interno, individualizando as condições de conforto e economizando frio.
Entre os inúmeros benefícios obtidos com os investimentos em sustentabilidade estão a melhoria da qualidade do ar e da água e a redução de desperdícios e volumes de lixo. Destacam-se ainda a redução de investimentos e custos operacionais; a melhoria da saúde e produtividade dos ocupantes; a qualidade na armazenagem de alimentos e o retorno, com prazo planejado, dos investimentos realizados. Por fim, o aumento da logística operacional acompanha as evoluções do mercado de alimentos, garantindo que o complexo de câmaras frias acompanhe as evoluções da engenharia.
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Axel Friedrich Woltmann – Especialista em Climatização – axel@spart.com.br |
Eng. Mec. Enrico Gregori
– enrico@spart.com.br





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